O Povo Negro Quer Viver

Nesta terça-feira, 02 de junho de 2020, pessoas brancas estão em silêncio para ouvir vozes negras. Aproveitamos este espaço para reafirmar tudo o que acreditamos.

Após repercussão global do caso George Floyd, estadunidense negro que foi assassinado por um policial branco em 25 de maio, começaram manifestações por várias cidades dos EUA. O discurso em volta da repressão policial contra a comunidade negra e a reflexão de um sistema racista e opressor, foram novamente pautados por aqui também.

Antes de seguir, preciso trazer um trecho do que o Marcos Queiroz disse através do twitter.

“O que estamos assistindo, portanto, não são apenas protestos contra os abusos policiais. É uma rebelião contra um projeto de sociedade falido. São as contradições mais evidentes do projeto capitalista norte-americano. É a degeneração escarnada do Império.”

A proporção de uma indignação moral vinda de milhares de pessoas e de meios de comunicação foi crescente. De outro lado, falas extremamente rasas como “no Brasil deveria ser assim” ganharam certa popularidade e se faz necessária desmistifica-las. Movimentos negros e indígenas no nosso país sempre se manifestaram e estiveram na linha de frente. A propósito, este é um excelente momento pra você ouvir também o Podcast Afetos, feito por Gabi Oliveira e Karina Vieira, em especial o episódio #48. Nele, Karina disse uma frase que reverberou em mim: “O que a gente faz agora é fruto de muita luta de gente que veio muito antes da gente.”

São anos de luta, de dor, de silenciamento, de relativização, de rejeição, de embranquecimento, de genocídio. Muita dor gera revolta. Lamentavelmente, o porquê deste momento histórico só está chegando agora para algumas pessoas. Mas é fundamental que não haja mais silêncio, a luta anti-racista deve ser de todos.

É papel da mídia, também, não minimizar as inúmeras mortes que acontecem no Brasil, reduzindo-as como se fossem uma “conspiração”. O racismo e ações policiais matam diariamente nas periferias brasileiras. O Estado segue matando o negro, o indígena e o quilombola. Se você fica chocado com os casos que ganham destaque na internet, pare e pense um pouquinho sobre o que o povo preto grita há décadas.

Há um desejo imenso de que todo esse grito que está reverberando e movimentando um volume gigantesco de pessoas, gere a consciência genuína de uma causa e reflita em ações positivas perpétuas.

É necessário que as iniciativas se complementem, que as marcas e empresas não “façam bonito” apenas na internet, que pessoas brancas lutem por pessoas negras, que as tradições africanas e afro-brasileiras não sejam apagadas das escolas (assim como as indígenas), que pessoas saiam das bolhas e consumam conteúdos de criadores negros (livros, cinema, Instagram, Twitter, música, arte, empreendedores e infinitos assuntos), que empregos não sejam negados a quem mora em áreas periféricas, que oportunidades sejam devolvidas e que piadas racistas não sejam mais normalizadas. Contrate, engaje, apoie financeiramente organizações, consuma. Enfim, a lista e as ações não param por aqui.

Em tempos difíceis como estes, em que até a falta de políticas sanitárias eficazes para o combate do COVID-19 nas periferias é alarmante, quero finalizar este texto (com o perdão de estar em primeira pessoa) torcendo para que a comoção social não acabe nesta semana e que a luta continue mais forte.

Nós adoramos falar de cultura sneaker e da conexão das histórias com o que calçamos. Seria impossível ter toda essa bagagem cultural sem negros e negras que fizeram e fazem história nas ruas, no esporte, na música, na arte. Você, que divide esse mesmo gosto com a gente, reflita sobre suas contribuições para a sociedade e, mais uma vez, olhe para fora da bolha.

O SneakersBR e o WSneakersBR seguirão empenhados em dar oportunidades, visibilidade e informações que condizem com o que acreditamos.

View this post on Instagram

Um recado para todas as pessoas brancas impactadas por esse post: Nesse momento é essencial que escutem as vozes de pessoas negras em todas suas interseccionalidades. Compartilhar essa ilustração e outros posts é só uma parte muito pequena da tarefa, o difícil é se abrir verdadeiramente para escutar as pessoas negras a sua volta. Ouvir nossas dores, nossas demandas, tocar em feridas que a branquitude tem evitado com maestria desde a fundação desse país. A branquitude como sempre, está cheia de perguntas e respostas prontas, “mas violência é a solução?”, “pandemia não é hora de manifestação nas ruas”, “os negros do Brasil precisam aprender com os americanos” …Busquem ler e ouvir o que as pessoas negras nesses locais estão dizendo. Tem tanta gente preta na luta explicando isso de forma didática e DE GRAÇA na internet, se você tem acesso a ela, se você tá vendo esse post, você tem acesso a essa informação! Não acessá-la é uma escolha e ela se chama manutenção de privilégios. Escutem pessoas negras e em seguida AJAM na luta antirracista. Financiem, protestem, apoiem. Nunca como protagonistas. Sempre como aliadas. Vou deixar aqui alguns perfis de Insta e Twitter que sou muito grata por estarem compartilhando tanta vivência e sabedoria: @joiceberth @bigon.joao @igiayedun @andrezadelgado_ @winniebueno @raullsantiago @transpreta @moniqueevelle @igrejalesbiteriana e muitas +! Marquem outras vozes aqui pra que quem veja o post siga também.

A post shared by Asaph Luccas (@asaphluccas) on