#TodasPorUma: Iniciativa Da Nike E Authentic Feet Exalta As Mulheres

A Authentic Feet e a Nike estão com uma campanha muito legal no ar. Batizada #TodasPorUma, a intenção é criar uma corrente de exaltação entre mulheres, começando na internet, mas indo além dela. Para endossar o movimento, a varejista convidou uma seleção de mulheres inspiradoras – pra quem tivemos a chance de fazer duas perguntas.

O coletivo de poesia Slam das Minas, a cantora Giulia Be, a skatista Pamela Rosa e a artista Gabz estrelam a campanha e responderam nossas questões. Magá Moura, que também fez parte do casting, cedeu pra nós uma entrevista especial em um novo formato do canal SneakersBR – SBR Por Aí: Conversa e Compra.

Se liga nas conversas!

WSBR: Pra você, quão importante é esta pauta e quais outras ações nós mulheres podemos tomar para deixarmos de concorrer umas com as outras e passarmos a nos posicionar lado a lado? 

Giulia Be: Já trabalho há um tempo com a Nike e acho que foi coisa do destino essa ter sido a primeira campanha com minha participação! Eu amo a mensagem por trás e sou muito essa amiga que rasga elogios exagerados para enaltecer as mulheres incríveis na minha vida. Leonina, né? Esse movimento pode ser desde algo tão simples como um elogio surpresa a outra mulher que você admira, mas não fala o tanto quanto deveria, ou algo mais complicado como esse exercício psicológico que é reavaliar com mais amor muitas situações que o nosso cérebro está acostumado a ver como competitivas. Crescemos numa sociedade onde é muito mais fácil posicionar nós mulheres uma contra a outra, de modo que assim fiquemos mais fracas e tiramos a culpa das costas de muitos homens… Mas acredito que isso vem mudando e cada vez mais fica nítido que somos muito mais fortes juntas. Uma das coisas mais lindas de ver é o brilho nos olhos de uma amiga que torce pelo sucesso da outra, tenho sorte de já ter presenciado isso dentro de mim e para mim.

Slam das Minas (Pam): É de extrema importância uma grande marca enxergar a necessidade de falar sobre e para mulheres, ainda mais sobre esse assunto, acreditar na possibilidade de que mulheres podem se respeitar, se ajudar e acreditar umas nas outras já foi uma utopia e hoje falamos muito nesse assunto e entre nós mulheres estamos nos entendendo também por conta dessas ações. Já no nosso lado o ideal é sempre nos colocarmos no lugar uma da outra, pensar como queremos ser vistas pelas outras mulheres e as olharmos da mesma forma. O nosso fortalecimento deve começar por nós mesmas e que isso vá para os outros: políticas públicas, informação, educação e cultura são as melhores ferramentas para trazer igualdade em qualquer problema social.

Pamela Rosa: Acho importante, acredito que ações como palestras, reuniões, vídeos e mídias sociais divulgando com linguagem simples e mais usual atingiriam um número maior de mulheres de todos os níveis. E isso sim impactaria o entendimento de muitas de nós!

Gabz: Eu acho essa pauta essencial porque a competição entre mulheres adoece a gente. Ela está em todos os campos, sabe? E isso mexe muito com a nossa autoestima, com a nossa afetividade, com a gente achar que não é capaz. É muito louco isso. Eu acho que essa iniciativa de a gente se elogiar é muito interessante, porque a minha autoestima só começou a melhorar de fato quando eu tomei o passo de parar de me comparar com outras mulheres dessa forma de competição e comecei a ver nelas uma inspiração e ver que eu também sou fonte de inspiração.

 

WSBR: Dentro do seu mercado, como é a competição entre as mulheres e o que você faz no seu cotidiano para minimizar isso? 

Giulia Be: Novamente, acho que é comum que as pessoas, a internet, a sociedade criem comparações e fomentem rivalidades! Mas acho que a partir do momento em que o artista entende que tem espaço pra todo mundo, e não importa o que ele fizer, ele jamais vai ser “o novo x…”, ”a versão da x brasileira”, sendo alguém ÚNICO com qualidades que ninguém tem e ninguém tira — fica mais fácil! Existe música pra todos os gostos e personalidades que ocupam lugares diferentes no mesmo mercado. Acho que é importante dividir esse posicionamento com as pessoas que te acompanham também. Recentemente, por exemplo, houve alguns casos na mídia onde justamente uma artista pulou para defender outra quando tentaram criar uma briga entre elas — e esse apoio é muito significante! Uma por todas, e #todasporuma, né?!

Slam das Mina (Pam): Eu vivo numa bolha por trabalhar com a cultura, sou escritora e produtora cultural o que me coloca num espaço onde esse assunto já é trabalhado e falado há muito tempo. Fora desse espaço, percebo que já avançamos, mas que ainda temos muito pra conversar sobre rivalidade feminina e, ainda mais quando se trata de assuntos com homens, fica complicado. Tento nos meus dias ser empática com as mulheres ao meu redor, reconhecer a importância delas e também enxergar as diferenças entre nós. Não podemos fazer vista grossa nesse assunto, somos todas mulheres, mas cada uma tem sua particularidade. o que nos faz plurais. Pensar nisso é um ótimo exercício. Também escrevo poemas para mulheres que já foram apagadas e machucadas pela sociedade, assim como eu, e a leitura com outros olhares abre janelas de lá e esquenta o coração daqui.

Pamela Rosa: Na área que atuo (esporte) a competição é a parte mais difícil tanto nas pistas, como fora. O crescimento da modalidade fez aumentar as praticantes que estão tentando a todo custo vencerem. Apesar de posarem como parceiras, poucas realmente se ajudam. Faço minha parte para isso desde sempre, por força do local que moro e da família em que nasci. Esse conceito de união vem desde sempre.

Gabz: Eu acho que existem várias formas de a gente poder fazer isso e elogiar não só aparência, mas elogiar o trampo, procurar ver os outros trampos que as mulheres estão fazendo, como a Nike e a Authentic Feet estão fazendo, de ter mulheres designers, sabe? Dar a oportunidade e visibilidade para mulheres no trabalho, isso vai mudar muito a perspectiva de tudo. Dentro do meu mercado a competição de mulheres é muito forte, tanto na atuação, quanto no mundo da música, e ela é muito pesada… Como se não pudesse existir duas mulheres fazendo a mesma coisa, quando são duas mulheres negras então, ou é uma ou é outra, se não acabou. E é muito pesado isso, porque quando vamos ver a fundo, somos todas muito diferentes, não somos a mesma coisa. Nós podemos estar juntas e nos fortalecendo. Se começarmos um movimento, isso pode ser muito mais forte do que só uma mulher. Se estivermos juntas, a gente vai conseguir chegar muito mais longe. Juntas somos mais fortes!

E, pra sair daqui ainda mais inspirada, confira o vídeo da campanha #TodasPorUma!