#TBT: Entrevista com Josefine Aberg, da adidas Originals (Revista SBR ed. 6)

Quinta-feira, dia de TBT! Hoje nós resgatamos uma matéria da edição 6 da Revista SBR – a entrevista com Josefine Aberg, diretora da adidas Originals.

Lembrando que essa matéria foi veiculada em julho de 2014, e as informações podem não estar atualizadas.

Meninas De Tênis

Basta olhar na ruas: as meninas estão, cada vez mais, usando tênis.
E nem estamos falando dos horrendos ‘sneakers de salto’, que teimam em infernizar nossas vidas. Mas de tênis ‘de verdade’, herdados das quadras de basquete, das pistas de corridas ou legítimos representantes de algum outro esporte, ou de alguma época marcante para a cultura de rua.

De Rihanna às passarelas da Chanel, os tênis parecem ter ocupado o posto de ‘calçado oficial da moda’, e por isso resolvemos ouvir que entende realmente do universo feminino, para tentarmos entender melhor essa relação entre mulheres (sabidamente as maiores consumidoras de moda do planeta), esporte e cultura sneaker.

Josefine Aberg é diretora de criação das divisões feminina, infantil, Blue e de acessórios da adidas Originals. Foi ela quem nos respondeu algumas perguntas que jogaram luz sobre o tema, deixando nós, meninos que adoram meninas de tênis, mais confiantes de que veremos nossas garotas cada vez mais estilosas – e reclamando menos dos nossos números de pares! – por aí.

SBR: Como você vê a participação feminina no mercado de streetwear e de sneakers? Fico pensando se um dia as mulheres vão incluir, definitivamente, os tênis nas suas lista de calçados frequentes, até porque eles são muito mais confortáveis do que salto alto, né?

JOSEFINE ABERG: As garotas estão fazendo misturas em seus looks, todos os dias e hoje eu diria que os tênis não só estão nessa lista, mas representam uma grande parte dela. Não acho que o conforto, infelizmente, seja mais importante do que o visual, mas eu gosto de pensar que estamos oferecendo ambos com a adidas Originals.
Eu acho que o universo sneaker masculino sempre vai ser maior que o feminino, mas calçados esportivos estão em evidência na moda – desde as silhuetas de corrida até os nossos famosos chinelos adilete.

SBR: Para a adidas Originals, qual a importância da linha feminina e qual o tamanho desse mercado?

JA: O importante para nós é ter certeza de que estamos oferecendo produtos feitos para mulheres que sejam cool e que não sejam apenas ‘fofinhos’ e ‘rosinha’ só porque são produtos femininos. Para conseguirmos produzir produtos relevantes e que despertem o desejo nelas precisamos ser uma marca com credibilidade (e isso nós temos), mesmo que para isso, vez ou outra, tenhamos que rompermos as nossas próprias barreiras.

SBR: Como você enxerga essa recente aproximação das marcas de luxo do mercado esportivo? O que você acha desses sneakers assinados pelas ‘maisons’, que não tem nenhuma tradição e muito menos tecnologia para produzir ‘artigos esportivos’?

JA: Hoje, a linha entre o que é moda e o que é esportivo é bem embaçada e ambos estão ‘emprestando’ elementos um do outro. Sportswear e sneakers estão muito além do que eram vinte anos atrás e não vão parar por aqui. Vejo tudo isso como o início de um novo tempo e é animador ver o quão longe iremos.

SBR: Estamos no final de um ciclo onde, para as mulheres (especialmente no Brasil), ‘sneaker’ era praticamente sinônimo de tênis com salto, graças às dezenas de cópias dos calçados criados pela Isabel Marant. O que você acha deste tipo de produto? Vamos continuar vendo tênis com salto anabela embutido por muito tempo?

JA: É difícil dizer, pois esse tipo de produto está atraindo um novo público e enquanto as garotas quiserem ficar altas não vejo motivos para parar de produzí-lo. É mais uma questão de como vai ficar visualmente. Mas isso mostra, também, quão abertas as consumidoras estão para esses novos calçados, o que nos leva de volta àquele mix entre esporte e moda.

SBR: Sabendo que a maior parte dos sneakerheads são homens, que tipo de iniciativas a adidas está planejando para fazer as mulheres consumirem tênis resultantes de colaborações, edições limitadas e etc?

JA: A linha feminina da adidas Originals está a todo vapor, enquanto estamos conversando. Já lançamos algumas histórias específicas para as mulheres, como a colaboração com a Topshop e a Farm e, além isso, vamos lançar a coleção com a Rita Ora em agosto. Ainda existem mais coisas vindo por aí, mas, infelizmente, eu não posso te contar no momento.

SBR: No passado, já tivemos alguns packs especiais, dentro da Consortium Series, voltados apenas para elas. Há planos para novos projetos como aqueles?

JA: Não especificamente dentro da Consortium. Mas temos dois packs especiais, feitos para mulheres, dentro das entregas de outono/inverno. Um deles é um ‘animal pack excêntrico’, em preto e branco, e o outro é um ‘archive color pack’ , onde foram aplicados diferentes tipos de couro italiano de luxo.

SBR: E como aconteceu a aproximação com a brasileira Farm? Como tem sido a recepção à parceria?

JA: Está sendo surpreendente no mundo inteiro! A Farm é famosa pelas suas estampas maravilhosas e queríamos fazer algo para as mulheres, aproveitando os dois maiores eventos esportivos do mundo, que acontecem, em sequência, no Brasil. Mas como fazer isso sem usar o futebol ou bandeiras de países nos produtos? Como focar no lifestyle das brasileiras, mostrando para o mundo seu humor e seu jeito especial?

Acabamos misturando esses ingredientes com nossos ícones, tanto no vestuário quanto nos calçados e conseguimos uma coleção forte e bem marcante.Usamos quatro estampas na primeira coleção: Frutaflor, Tucanário, Floralina e Borboflor, todas com uma super identidade brasileira.

SBR: Existem planos de dar continuidade à parceria, certo? Vamos ter novos tênis assinados pela Farm, além do Gazelle?

JA: Sim! Há quatro novas estampas programadas para o segundo semestre de 2014. Talvez até mais. E sim, teremos novos modelos, tanto em vestuário, quanto em calçados.

SBR: E como os novos parceiros da adidas (Pharrell Williams, Nigo, Kanye West, etc) podem influenciar na linha feminina da marca? Alguma outra grande história para elas, além de Farm, Topshop e Rita Ora, que possamos saber?

JA: Sim, há outras histórias, mas, infelizmente, não posso falar sobre elas, ainda…

SBR: Para finalizar, o que você diria para as brasileiras que se acham muito baixinhas para adotar um belo par de tênis (sem salto) e, ainda assim, continuarem muito estilosas?

JA: Ah… não se trata de altura! Vocês podem continuar lindas, mesmo sendo um pouco baixinhas! Vejam só a Kate Moss: ela é menor que uma modelo ‘tradicional’, mas, ainda assim, uma das mulheres mais bacanas e conhecidas da indústria.

O tênis nunca esteve tanto na moda quanto agora!

Não tem mesmo nada a ver com a altura, mas sim com a atitude e com o olhar, e isso vale tanto para a alta moda, quanto para as ruas.